
Pesquisa Itaú Hábitos Culturais
Reportagens
Apesar dos avanços, um terço dos entrevistados afirma não ter equipamentos culturais na região onde mora
16 de outubro de 2026
O brasileiro ampliou sua participação em atividades culturais, mas dinheiro, insegurança e falta de vagas próximas de casa continuam limitando esse acesso. É o que revela a 7ª edição da Pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha. Em 2026, 88% dos entrevistados disseram ter realizado alguma atividade cultural presencial nos últimos 12 meses, ante 84% em 2025.
Os shows de música estão entre os destaques: a participação passou de 45% para 51%. A visitação aos centros culturais avançou de 26% para 32%, enquanto os museus passaram de 16% para 21% e as exposições de arte, de 27% para 31%. Eventos ao ar livre em espaços públicos alcançaram 63%, reforçando a importância da programação que ocupa ruas, praças e outros ambientes de convivência.
O crescimento, porém, convive com uma distância expressiva entre as classes sociais. Nas classes A/B, 63% foram ao cinema no período pesquisado; nas classes D/E, apenas 18%. No teatro, os percentuais foram de 41% e 17%, respectivamente. Mesmo quando se compartilham todas as atividades presenciais investigadas, a diferença permanece: 97% nas classes A/B participaram de pelo menos uma, contra 82% nas classes D/E.
As dificuldades financeiras são os obstáculos mais relatados para a participação em atividades presenciais, ponderadas por 35%, seguidas pela insegurança e violência, com 30%. A oferta também pesa: 33% afirmaram que não existem equipamentos culturais na região onde vivem.
Nesse cenário, a gratuidade aparece no topo das expectativas para os próximos governantes. Criar ou ampliar programas gratuitos de acesso à cultura foi uma das prioridades indicadas por 42% dos entrevistados. A criação de instituições e equipamentos públicos recebeu 32% das menções, seguida pela melhoria dos espaços existentes, com 28%, e pelo incentivo à produção cultural independente, com 26%.
Pela primeira vez, o levantamento investigou o conhecimento sobre direitos culturais. Embora 68% saibam que o acesso à cultura é garantido pela Constituição, 27% não conseguiram explicar espontaneamente o significado desse direito. A escolaridade faz diferença: o conhecimento da garantia constitucional chega a 85% entre pessoas com ensino superior e fica em 56% entre aquelas com ensino fundamental.
Dentro de casa, a música on-line mantém a liderança, consumida por 85% dos entrevistados. Filmes em plataformas de streaming alcançam 76%, e séries, 73%. Entre aqueles que declararam gastos com atividades culturais digitais, 62% desembolsaram até R$ 100 mensais. Nas atividades presenciais, essa faixa representa 46% dos que têm despesas, segundo a apresentação completa da pesquisa.
Uma possibilidade de ampliar o acesso está nas escolas: 72% afirmam que participariam mais de atividades culturais se elas fossem oferecidas com maior frequência na escola do bairro. O resultado aponta para o potencial de espaços já presentes no cotidiano da população, especialmente onde faltam cinemas, teatros, museus e centros culturais.
A pesquisa reuniu 2.448 pessoas de 16 a 65 anos, em 137 municípios de todas as regiões brasileiras, entre 7 e 20 de julho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Acesse a pesquisa completa em https://drive.google.com/drive/folders/1ceR9--ayiU_H5bD-oiAGWtMOzXOkK2vL?usp=sharing
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