
Paçoca é um dos pratos do cardápio enxuto. Mas o carro-chefe é o arrumadinho
Colunas
O bar é comandado por Manoel Cristóvão de Albuquerque, nascido em Ceará-Mirim, com o apoio da esposa Delane Régis Nobre, filha do Chico
17 de maio de 2026
Cefas Carvalho
Toda cidade que se preze tem um beco na região central e nesse beco sempre há pelo menos um bar. Em Parnamirim, terceira maior cidade do Rio Grande do Norte (e a caminho de ser a segunda, segundo o IBGE), não poderia ser diferente. Entre boêmios, passantes curiosos e indiferentes que transitam no Beco do Picado, ao lado do Mercado Público Velho, está o Boteco do Chico, único bar da área e que mantém atmosfera "raiz".
O bar é comandado por Manoel Cristóvão de Albuquerque Souza, 57 anos, nascido em Ceará-Mirim, com o apoio da esposa Delane Régis Nobre de Souza, filha do Chico, cujo nome é homenageado, como será explicado mais para a frente. O bar na atual formatação existe há 3 anos, quando o casal no pós-pandemia arrematou o espaço de um antigo boteco.
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Manoel Cristóvão, o dono do Chico e o colunista Cefas Carvalho
Mas a história de Cristóvão com bares começou muito antes. Mais exatamente em 1998, quando abriu uma Cigarreira na Rua Zumbi, em Candelária. O cardápio com bons tira-gostos, cerveja gelada e bom atendimento fizeram o estabelecimento fazer tanto sucesso que se transformou anos depois no Zumbi Bar, onde Cristóvão passou 18 anos. por questões familiares, o bar se transformou e ele saiu para projeto próprio primeiro no bairro Parque Industrial e depois no então existente Clube da Cosern, na avenida Abel Cabral, em Nova Parnamirim. Até que em 2022 Cristóvão e Delane decidiram ressuscitar o antigo bar no Beco do Picado, que se chamaria Zumbi, mas ganhou o nome atual em homenagem ao Chico, boêmio frequentador daquele espaço.
Chico certamente gostaria de tudo no boteco que leva seu nome. Umas poucas mesas são espalhadas na calçada, e do outro lado da rua, já na calçada no Mercado Público. O atendimento é feito pelo próprio Cristóvão, às vezes com ajuda de uma alma boa que se oferece para ajudar (geralmente em troca de uma bebida) ou dos próprios clientes que pegam o que pedem. O clima de boemia é visível. "Tem papudinho que vem tomar cachaça como café da manhã assim que abro às 9h", diverte-se Cristóvão.
Mas o clima de boemia só se sustenta se o cardápio for poderoso. É o caso. Poucas opções, escritas a giz num quarto verde dia a dia (expediente que me fascina), mas todas de qualidade, temperadas e com preços mais que acessíveis, em conta mesmo. Segundo o dono, o prato que mais sai é o arrumadinho, mas minha obsessão é a paçoca de carne de sol, que vem com cebola e feijão verde. Outro petisco da casa (que funciona como almoço) é a bisteca de porco, feita a velha moda (salgada, hiper temperada e apimentada) servida com muita, mas muita macaxeira mesmo. cada prato desses sai por 15 reais. Às vezes tem camarão, igualmente farto, que fica 25 reais. idem em relação à iguaria que dá nome ao beco. Vez por outra Cristóvão e Delane aparecem com um prato surpresa. Boteco raiz é assim.
Como nem tudo são flores, Cristóvão, comerciantes vizinhos e frequentadores lamentam a insensibilidade de donos de veículos que estacionam nas calçadas no beco e há muito cobram o fechamento da rua para carros, como acontece em becos de cidades de todo o Brasil. O que impulsionaria o movimento no local e permitiria mais espaço para mesas, como acontece nas festas e eventos sazonais.
FIQUE LIGADO
Onde fica: Beco do Picado (que se chama Rua Tenente Aurélio).
Horários: De segunda a sábado, das 9h às 17h.
Contato: Não tem.
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