Micarla Fernandes

Sobre a Mesa

Criadora do queijo maturado no café conquista registro estadual e Selo "Feito Potiguar"

Associada da Empreleite, Micarla Fernandes recebeu as certificações no primeiro dia da 64ª Festa do Boi

15 de outubro de 2026

A mestra queijeira Micarla Fernandes, associada da Associação dos Empreendedores de Leite (Empreleite), acaba de receber o registro estadual do estabelecimento queijeiro, concedendo pelo Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do RN (Idiarn), e o Selo “Feito Potiguar”, do Sebrae/RN. As certificações foram entregues no primeiro dia da 64ª Festa do Boi e marcam uma nova etapa na trajetória da produção, que há cinco anos investe na fabricação de queijos artesanais. 

Criadora do queijo maturado no café Jaçanã, que conquistou o título de Superouro no Encontro Nordestino do Setor de Leite e Derivados (ENEL) de 2025, Micarla conduz a Fazenda Lima, em São Pedro, ao lado do marido, Rassio Henrique. Para ela, o registro do estabelecimento (área de produção) representa uma nova etapa na regularização da queijeira. Antes, já havia obtido o certificado de propriedade livre de brucelose e tuberculose, que atesta as condições sanitárias do rebanho. Agora, inicia um novo ciclo, voltado para regularização de produtos. 

“Receber o registro do estabelecimento é os frutos de um trabalho cultivado colher durante anos. Começamos há cinco anos nessa empreitada e, ao longo desse caminho, buscamos conhecimento e adquirindo maturidade de negócio. Então chegar até aqui mostra que é possível fazer o artesanal com seriedade, qualidade e segurança alimentar. Mas sabemos que ainda temos um caminho pela frente, com novas etapas para regularizar os produtos e continuar aprimorando aquilo que fazemos”, afirma Micarla. 

Ela iniciou a fabricação de queijos como uma alternativa para agregar valor à produção de leite da família, liderada pelo pai, João da Silva. Ao longo dos anos, ampliou a variedade de produtos e hoje processa cerca de 80 litros de leite por dia, matéria-prima para queijos maturados no café e no vinho, além de outras variedades com períodos de maturação que vão de 60 a 180 dias. O portfólio inclui ainda queijo de coalho, ricota e manteiga da terra. Segundo ela, a iniciativa combina tradição e inovação. 

“Essa conquista também mostra a força que existe quando os produtores se organizam. Foi a partir das dificuldades que causamos que começamos a unir forças, primeiro no núcleo e depois na associação, para buscar soluções, trocar experiências e avanço na regularização. Hoje, quando um produtor consegue esse registro, abre-se um caminho que pode ser seguido por tantos outros que também estão trabalhando para formalizar sua produção”, destaca a associada da Empreleite. 

A Fazenda Lima também recebeu, na Festa do Boi, o Selo “Feito Potiguar”, iniciativa do Sebrae/RN que identifica produtos modificados por empresas registradas no Rio Grande do Norte, com matéria-prima potiguar ou fabricação integral no estado. A certificação busca valorizar a produção local e facilitar o reconhecimento, pelo consumidor, da origem do que consome.

Regularização ainda é desafio para produtores

A regularização das queijeiras artesanais é uma das principais pautas da Associação dos Empreendedores de Leite. Segundo estimativas da entidade, o Rio Grande do Norte tem mais de 300 queijeiras em atividade. Desse total, 62 são legalizadas, sendo 61 pelo sistema estadual de inspeção e uma pelo municipal. Entre elas, 15 possuem registro específico para a produção artesanal, sendo 14 no âmbito estadual e uma no municipal. 

Os números, conforme explicado pelo presidente da Empreleite, Marinho de Sousa, contrastam com a importância da atividade artesanal no estado e evidenciam o desafio de ampliar a formalização do setor. 

“A regularização representa segurança para quem produz, para quem comercializa e para quem consome. Quando uma queijeira consegue cumprir as exigências e obter o registro, ela passa a ter mais condições de desenvolver sua atividade e acessar novos mercados. A Fazenda Lima é um exemplo disso. É uma conquista individual, mas que tem um significado coletivo para quem trabalha com queijo artesanal no Rio Grande do Norte”, enfatiza Marinho. 

Fundada em 2022, com apoio do Sebrae/RN, a Empreleite defende a criação e o fortalecimento dos serviços de fiscalização municipais como alternativa para ampliar o acesso dos pequenos produtores à regularização. A entidade está presente na 64ª Festa do Boi, até o próximo dia 17, com uma loja colaborativa localizada na Rua Alecrim, em frente ao Restaurante Targino.