O flho José Gil, de 29 anos, os netos João Gil, 27, e Francisco Gil, 25, foram o trio Gilsons

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Filhos de cantores da MPB que cantam

Eles nasceram no mundo da música, aprendendo as impressões musicais antes mesmos de frequentar a escola.

03 de junho de 2022

*Costa Junior

Os filhos de cantores famosos já nasceram no mundo da música, aprendendo as impressões musicais, antes mesmos de frequentar a escola. Por terem crescido ouvindo seus pais cantarem e cercados de instrumentos musicais, quiseram seguir o mesmo caminho, soltando a voz e conquistando seu espaço na história da Música Popular Brasileira. Alguns deles acompanham até os mesmos gêneros musicais e outros cantam as próprias canções da família. Mas, há os que preferem explorar sonoridades diferentes e brilhar com a luz própria. Mesmo alguns tendo apadrinhados de pessoas já influentes do meio artístico, são graças aos seus esforços, dedicação e talento que conseguem entrar na profissão.

Gilberto Gil, além de sua genialidade reconhecida como um dos maiores cantores e compositores da MPB, gerou uma família de artistas que vivem da música. Tem as filhas Nara Gil e Preta Gil e o cantor Bem Gil que seguiram os passos dele. Além do filho José Gil, de 29 anos, os netos João Gil, 27, e Francisco Gil, 25, que formam o trio Gilsons. Eles herdaram não só o nome, como a identidade cultural e a musicalidade do cantor. A popularidade do trio vem crescendo nas plataformas digitais e já estão realizando shows. Eles permanecem juntos desde 2014, época em que formaram com dois amigos a Banda Sinara. Porém, foi no ano de 2018 que eles começaram a formar o trio. Apesar do sobrenome ilustre, os três conseguiram entrar no mundo da música com seus próprios méritos. Diferente de Bebel Gilberto, filha de João Gilberto, e da cantora Miúcha, em que a música de seus pais influenciou muito na sua formação musical. Ela quando criança e ouvia muito o pai tocando violão, e teve a noção harmônica das melodias se deixando influenciar pela Bossa Nova, da qual o seu pai foi um dos fundadores. Ela fez 56 anos no mês de maio, e lançou o disco “Agora”, mais de quatro décadas depois de estrear ao lado do pai, cantando “Chega de saudade” e 22 anos após a estréia do álbum “Tanto Tempo”, que vendeu milhões de cópias nos Estados Unidos.

Filho da cantora Cássia Eller, Francisco Ribeiro Eller mais conhecido como Chicão, é um cantor e compositor e talvez seja um dos descendentes mais parecidos com sua mãe. Além do talento, o músico legou o carisma e o espírito rockeiro dela. É vocalista das bandas “2x0 Vargem Alta” e “13.7”, além de ter uma carreira solo e formar uma dupla com João Mantuano. Em 2020, lançou um álbum em parceria com Francisco Gil intitulado “Onde?”. O seu primeiro álbum solo, “Pomares”, foi lançado em 2021, ano em que foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Canção em Língua Portuguesa, com a música "A Cidade", em parceria com João Mantuano.

A música que passa de pai pra filho, também chega a Luiza Possi, filha da cantora Zizi Possi. Ela desde cedo cantava em sua casa, ao lado de sua família. Foi em 2001, após uma participação com sua mãe, no Programa do Jô, durante a entrevista ela interpretou inesperadamente "Angel", canção de Sarah McLachlan. Neste mesmo ano foi convidada assinar um contrato com a Indie Records. Em 2002 é lançado o seu primeiro álbum, “Eu Sou Assim”, marcando sucessos como "Eu Sou Assim" tema da novela “Mulheres Apaixonadas” e "Dias Iguais. A discografia dela compreende sete álbuns de estúdio, dois álbuns ao vivo, dois DVDs e dezenove singles próprios. No ano de 2004, lançou o seu segundo álbum, intitulado “Pro Mundo Levar,’. Este trabalho o produziu dois hits, "Over the Rainbow" e "Tudo Que Há de Bom"

Maria Rita, filha da cantora Elis Regina, começou a cantar profissionalmente aos de 24 anos. O peso do berço musical em que nasceu, influenciou bastante para o sucesso de sua obra. Ela ganhou 8 prêmios Grammy Latino, incluindo de Melhor Artista Revelação e sendo a única brasileira na história a vencer essa categoria. Maria Rita já vendeu milhões de CDs e DVDs, no Brasil e no mundo todo, sendo considerada uma das maiores vozes e intérpretes de sua geração. Os críticos da imprensa internacional consideram a voz dela delicada e potente, como já foi publicado no “The New York Times”, jornal diário estadunidense.

Também o cantor Caetano Veloso, ídolo da MPB emplacou seus filhos na música. Essa adesão, entre pais e filhos, foi o foco da turnê “Ofertório” de 2018, realizada por Caetano, Zeca, Tom e Moreno Veloso. No repertório os sucessos “Leãozinho”, “Alguém Cantando” e “Reconvexo”. Além de “Todo Homem”, canção de Zeca Veloso, que acabou virando trilha da supersérie “Onde Nascem os Fortes”. produzida e exibida pela Rede Globo de 23 de abril a 16 de julho de 2018, em 53 capítulos. Zeca, ainda tem os sucessos “O Sopro do Fole” canção de aura nordestina lançada por Maria Bethânia em 2021 no álbum 'Noturno'.

Clara Buarque de 23 anos, é filha de Carlinhos Brown com Helena Buarque de Holanda. Dona de uma belíssima voz, ela teve a sorte de possuir músicos famosos em sua família, que influenciaram no seu repertório e no gênero musical. Já realizou algumas lives no seu Instagram, despontando o seu dom interpretativo. Ela apareceu na música em 2017 ao participar da canção “Dueto” no álbum “Caravelas”, lançado pelo seu avô Chico Buarque. Ela vem dando os primeiros passos na carreira artística, com o peso do seu sobrenome, mas com seu talento que quer edificar sua própria história.

O samba da atualidade vem sendo bem representado por uma nova geração de cantores. Filhos de sambistas famosos, seguem os mesmos passos do pai. Entre eles está Diego Nogueira, nascido no Rio de Janeiro, filho do cantor João Nogueira. Mas, ele começou em outra profissão, antes de se tornar sambista, era jogador de futebol, chegou atuar pelo Cruzeiro de Porto Alegre, em 2005. Sofreu uma contusão no joelho e veio se tratar na sua terra natal. Nesse período esteve nas rodas de samba de amigos e depois convidado para participar de shows de sambistas famosos, logo formou uma banda própria. Assinou contrato com a gravadora EMI e com o álbum "Diogo Nogueira Ao Vivo”, se lançou na carreira de cantor solo. Filha do sambista Martinho da Vila e da cantora Anália Mendonça, Martinália Mendonça Ferreira, é também uma representante do samba moderno. Ela nasceu no dia 7 de setembro de 1965 no bairro de Pilares, Zona Norte do Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira profissional aos 16 anos, fazendo vocais de apoio para seu pai, ao lado dos irmãos Pinduca e Analimar. Nos anos 90 Mart'nália passou a realizar apresentações em pequenas casas noturnas e teatros do Rio de Janeiro, o que culminou no lançamento de seu CD “Minha Cara”. A partir de 1994, passou a integrar o grupo Batacotô, com quem lançou o “Samba dos Ancestrais”. Os Álbuns “Pé do meu Samba,’, direção artística de Caetano Veloso e “Menino do Rio”, direção de Maria Bethânia abriu caminho para turnês internacionais pela Europa e África, além de mais 07 álbuns lançados.

Essa tradição de cantores seguir a mesma carreira dos pais, vem de muito tempo no Brasil. A cantora Dalva de Oliveira, nascida em 5 de maio de 1917, Rio Claro, São Paulo e o cantor e compositor Herivelto de Martins, que nasceu 30 de janeiro de 1912, Vassouras, Rio de Janeiro, geraram o filho Peri de Oliveira Martins, mais conhecido como Perry Ribeiro, nascido no dia 27 de outubro de 1937, que se tornou um grande cantor brasileiro. Outro que passou o talento de pai para filho foi o cantor e compositor Luiz Gonzaga do Nascimento “Gonzagão” nascido no ano de 1912 em exu, Pernambuco. Seu filho único Luiz Gonzaga do Nascimento “Gonzaguinha”, seguiu a mesma profissão e se destacando na Música Popular Brasileira.


*Formado na UFRN, é pesquisador cultural e atuou como repórter na imprensa potiguar e acreana., além de ser editor por várias décadas do Jornal Zona Sul, que circulava em Ponta Negra e Capim Macio.

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