Iniciativa busca aproximar comunidades de seus elementos culturais

É Típico!

Museu Câmara Cascudo promove reencontro entre comunidade de Sibaúma e artefatos históricos

Iniciativa reúne moradores, pesquisadores e instituições para discutir preservação, memória e reconhecimento de sítio histórico

03 de abril de 2026

O Museu Câmara Cascudo promoveu um reencontro simbólico entre representantes da comunidade de Sibaúma e artefatos históricos ligados à cultura material da localidade. A iniciativa é do Grupo de Pesquisa Cultura, Identidade e Representações Simbólicas, do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e integra discussões sobre o tombamento de um sítio com vestígios de um antigo quilombo e a criação de um centro de memória na localidade, a 88 km de Natal.

O acervo possui fragmentos de louças e faianças, moedas de diferentes períodos, ferramentas de pedra (polidas e lascadas) e cachimbos. Esses materiais foram coletados na década de 1990, retirados da comunidade e encaminhados ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como itens “presumivelmente arqueológicos”. Atualmente sob guarda temporária do Museu, os artefatos passarão por análises e processos curatoriais que vão subsidiar um relatório técnico a ser apresentado ao órgão federal, que decidirá sobre a destinação final do acervo — ainda sem prazo definido.

O encontro reuniu técnicos do setor de Arqueologia do Museu, do Departamento de Patrimônio Imaterial do IPHAN e representantes de instituições como o Ministério Público Federal, em um debate que busca esclarecer o papel das instituições na preservação do patrimônio e os trâmites para o reconhecimento oficial do sítio histórico.

A ação foi realizada na quinta-feira e faz parte de um conjunto de atividades promovidas pelo Museu para aproximar comunidades de seus acervos, especialmente grupos indígenas, quilombolas e povos tradicionais do Rio Grande do Norte. Desde 2022, iniciativas semelhantes já envolveram moradores de municípios como Canguaretama, Ceará-Mirim, Goianinha, Macaíba e São Tomé, com visitas às reservas técnicas e participação em debates que contribuem para a pesquisa e valorização do patrimônio cultural.