
A trajetória de Mayah é marcada por uma espécie de desmontagem. Assim como Alice, de Lewis Carroll
Agenda Cultural
Adaptação da autora inglesa "Shedding a Skin", monólogo Mudando de Pele traz a atriz em meio a aflições e desejos
17 de setembro de 2026
O que acontece quando uma mulher percebe que a vida construída até então já não lhe serve mais? É a partir dessa inquietação, mais ligada aos dilemas do amadurecimento do que aos estereótipos tradicionalmente associados à mulher negra, que Taís Araujo constrói a personagem Mayah em Mudando de Pele. O monólogo, dirigido por Yara de Novaes, chega a Natal para uma sessão única no dia 23 de outubro, às 21h, no Teatro Riachuelo.
Mayah está perto dos 40 anos quando decide romper com uma realidade que deixou de fazer sentido. Depois do fim de um relacionamento e de um conflito com a empresa racista onde trabalha, ela aluga um apartamento minúsculo e se vê diante de um espaço físico que funciona também como metáfora para a vida que pretende reconstruir.
Inspirado no premiado monólogo Shedding a Skin, da dramaturga britânica Amanda Wilkin, o espetáculo desloca o foco de narrativas que frequentemente apresentam personagens negras a partir exclusivamente da violência, do racismo e do sofrimento. Em cena, Mayah é, antes de tudo, uma mulher atravessada por contradições e pela necessidade de descobrir quem deseja ser.
A questão racial está presente na trajetória da personagem, mas não ocupa todo o espaço da narrativa. O espetáculo se interessa também por temas universais, como identidade, pertencimento, relações afetivas, envelhecimento e a sensação de inadequação diante dos papéis que a sociedade estabelece.
A trajetória de Mayah é marcada por uma espécie de desmontagem. Assim como Alice, de Lewis Carroll, que precisa atravessar transformações físicas e simbólicas para compreender o próprio caminho, a personagem se vê obrigada a "diminuir para crescer".
O apartamento apertado se transforma, então, no cenário de uma jornada de autoconhecimento, na qual ela revê escolhas, expectativas e os acordos sociais e emocionais que sustentaram sua vida até ali.
Música em cena
Taís divide o palco com as musicistas Dani Nega, que assina a direção musical, e Layla, responsável pelos instrumentos tocados ao vivo, entre eles a kora, harpa tradicional dos povos da África Ocidental. A presença das duas artistas contribui para criar a atmosfera de transformação que acompanha a personagem.
Com cinco indicações ao Prêmio Shell de Teatro, Mudando de Pele marca o retorno de Taís Araujo aos palcos depois de uma década. A direção é de Yara de Novaes, com dramaturgismo de Nathália Cruz, cenografia de André Cortez, direção de movimento e colaboração artística de Cristina Moura e iluminação de Gabriele Souza. A produção é da Quintal Produções, com produção local da Bobox Produções.
Serviço
Mudando de Pele
Com Taís Araujo
23 de outubro, às 21h
Teatro Riachuelo – Natal
Ingressos: uhuu.com e bilheteria do teatro
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